sexta-feira, 25 de maio de 2012

Curitiba,27 de novembro de 2004




Amor não fomos embora ainda. Hoje tivemos a maior briga, eu com você e você comigo, estou muito triste, não gosto de brigar com você, nós precisamos ter mais paz, pois tem hora que não somos merecedores de tudo que Deus fez e faz por nós, mas como Ele nos ama muito tenho certeza que perdoa as nossas faltas.
O motivo de não termos indo embora ainda, são que seus exames não estão tão bons. Você fez uma biopsia de fígado no dia 22, o resultado foi Fibrose e Lesão de Ducto, eles acham que é devido ao MTX, agora vai ser feito controle a cada sete dias.
As suas aulas terminam dia 30, acho que 5º feira nós vamos voltar para casa, não vemos a hora de ir embora.
Andamos indo bastante para a praia, seu pai ficou um tempo com a gente, foi muito bom, agora só está eu e você.
Gi, eu te amo muito, quero que Deus te faça mais calma e que eu também fique mais calma.

                                                                                                    Um beijo
                                                                                                                          Eu

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Curitiba,25 de outubro de 2004


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Amor meu, acabei não escrevendo a parte mais feliz da quimio, a “última etapa”.
 No dia 14 de setembro você fez uma medula para ver porque as suas plaquetas demoram a melhorar. O exame mostrou que as plaquetas se formam um pouco menos, então depois desse exame eles resolveram começar a última etapa, ela começou no dia 14 e terminou no dia 19.
Você  usou a Vincristina, Ciclofosfamida, MTX,  Doxo e Prednisona.
No dia 18  precisou fazer uma transfusão de plaquetas, mas na hora teve uma reação e precisou ser internada, ficou sete dias no hospital.
Neste período teve mucosite, sofreu pouco, mas graças a Deus passou tudo.
Fizemos uma tomografia e deu tudo normal, para a honra e louvor a Jesus e Maria.
O seu fígado está um pouco alterado, mas por enquanto não vai ser feito nada, tem que espera passar um período para a quimio parar de agir. Talvez nós vamos embora sábado, você está bem ansiosa.
Vamos sentir saudades de todo mundo, da Iolanda, Dra. Ivy, a sua professora Beth, das suas amigas do ambulatório, do Dr Cezar, da Erica e de muitas outras pessoas que marcaram este período que passamos aqui.
Quero ver se continuo a escrever para que  quando  você for grande, ver o quanto Deus foi maravilhoso em nossas vidas. Ele nunca saiu do nosso lado.
Amo muito você
                                                                                                     Eu

                                                                 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Arapongas,04 de maio de 2012


Como podem ver fiquei um tempinho sem escrever. Muitas vezes escrevi que as coisas nem sempre são como a gente quer, e de novo ando passando por situações que jamais imaginei que passaria. Mas vou continuar firme, pedindo a Deus pela sua misericórdia e que do mesmo modo que Ele sempre esteve presente em todas as minhas tempestades, que Ele possa de novo estar à frente de tudo.
Como vocês viram no post passado passamos por momentos de muitas felicidades e também de muitas tristezas.
O que mais sinto daquela época foi o fato de ter perdido a minha avó e a minha tia Nair. Perder pessoas que amamos dói demais e eu nem pude me despedir, isso dói muito. Quando vim passar as férias de julho em casa a primeira pessoa que me veio ver foi a tia e quando voltei para Curitiba ela veio se despedir e foi a última vez que a vi, meu maior sentimento é que tanto ela quanto a minha avó não viram a Gi curada, mas tenho certeza que lá do céu elas olham sempre por nós.
Hoje resolvi postar algumas fotos dessa época, são fotos da festa junina que a Gi participou, do aniversário dela de 7 anos, e do casamento do meu irmão que ela foi madrinha.



 Festa Junina


Férias em casa


A saudade era grande demais


Meus 7 anos


 A realização de ser madrinha de aliança

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Curitiba, 16 de setembro de 2004




Gigi meu amor, quanto tempo não escrevo, aconteceram muitas coisas, algumas boas e outras ruins.
As boas são que você está ótima, começamos com a graça de Deus a sua última etapa de quimio.
Fizemos a quarta e quinta etapa com muito sucesso, com a mão de Deus o tempo todo sobre você. Estas etapas foram feitas internada e não teve nenhuma complicação, nem precisou internar depois, conseguiu ir para aula certinha sem nenhum problema. Quando você terminou a quinta etapa foi feito uma tomografia e o seu Linfoma sumiu, não tem mais nada.
Fomos para casa nas férias, ficamos três semanas, foi muito bom. Andamos indo para praia, você ama o mar. O tio Gustavo casou e você foi a madrinha, ficou maravilhosa e conseguiu realizar o seu sonho que era por um vestido bem rodado e uma luva.
Neste período o seu pai veio ficar com a gente, foi muito bom. Ele ficava com você no hospital e você se divertia.
As coisas tristes são que perdemos a tia Nair no dia 16/08 e a bisavó Maria no dia 02/09, a bisa morreu no dia em que você completou quatro anos de transplante, ficamos muito tristes.
Aqui do ambulatório foram para o céu muitas crianças que conhecemos. Foi a Gabriela, o Wesley, o João Carlos, o Dieguinho, o Valdevir, todos vão deixa saudades, peço a Deus que olhe pelos seus pais e agradeço a Ele por você estar tão bem.
                                                              Amo muito você, você é a minha paixão.
                                                                                                                       Mamãe

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Somente na Lembrança - Contando detalhes que não foram escritos




Como já mencionei, o protocolo de quimio que a Gi iria seguir eram de seis etapas, sendo que a quarta e quinta seriam internadas.Então quando chegou a quarta etapa ficamos apreensivas sem saber como a Gi iria passar por mais essa fase.
Nas outras vezes em que ela internava, ela estava sempre tão mal que nem questionava a internação, mas agora era diferente ela estava boa e tinha que ir para o hospital.
A internação seria de 7 dias, 24 horas correndo a quimio e entre a troca de um frasco pelo outro ela iria tomar banho. Como essa quimio era muito forte e poderia causar um dano ao rim ela tinha que correr juntamente com uma hidratação, então a quimio corria pelo cateter e puncionaram uma veia no braço onde corria a hidratação.
Diante de toda essa situação imaginávamos que não seria fácil, mas como Deus sempre estava à frente de tudo Ele novamente agiu e tudo aquilo que parecia ser muito difícil acabou sendo mais fácil.
Quando a Gi internou ela conheceu o Lucas que estava internado tratando de Leucemia, logo eles se tornaram amigos e ficavam o tempo todo juntos brincando na sala de recreação e de noite quando eu ia embora ele sempre dizia que iria tomar conta dela. Ele era uma graça, sempre esperava a Gi acordar para tomarem o café da manhã juntos, almoçavam juntos e dormiam no mesmo quarto. O Lucas marcou muito a nossas vidas , quando nós o conhecemos ele estava tratando pela terceira vez de Leucemia mas estava bem. 
Depois que a Gi terminou todo o tratamento  voltávamos todos os meses em Curitiba e encontrávamos ele no ambulatório, só que o tratamento dele não foi dando resultado e ele faleceu, até hoje quando lembro dele me dá um aperto no coração, fico lembrando do seu sorriso, da sua bondade, mas tenho certeza que Ele está junto do Pai.
Quando a Gi teve alta ela estava muito bem, e eu havia comentado com o médico que cuidava dela que a minha filha mais velha iria fazer 15 anos. Então eles permitiram a nossa ida para nossa casa então, depois de quatro meses e 25 dias retornamos para Arapongas para passar um final de semana. Viemos de surpresa e fui esperar a Aline na porta do colégio com um buque de flores, até hoje ela diz que foi o melhor presente que ela teve em sua vida. Ficamos só um final de semana, mas mesmo assim foi muito bom, triste foi a despedida, deixar para trás quem amamos dói demais.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Curitiba, 25 de maio de 2004



Amor da minha vida, no dia 06/05 você internou de novo com as defesas baixa, ficou oito dias. Precisou transfundir plaquetas e hemácias, mas graças a Deus você melhorou logo.
Imagine que teve uma noite que você reclamou tanto que o Dr Cezar acabou passando um pedaço da noite com você, ele tem um carinho muito grande por você e você é apaixonada por ele. Quando você saiu do hospital a vó estava com a gente, você passou uma semana ótima, foi na escola, não teve dor, recebeu visitas, ganhou uma Barbie do Zé Mauro (você também ama muito ele) e uma pantufa da tia Nelci. Neste final de semana as meninas e a Tati vieram para cá  e quem trouxe foi o tio Gustavo, foi muito bom.
Agora você está internada para fazer quimio. A medicação vai ser Ara-C ,dizem que dá muita reação, mas já estreguei a Deus para que Ele possa tirar todos os efeitos colaterais para que você possa fazer a quimio e sair do hospital.
Hoje ungi o seu berço com óleo bento para que a proteção de Jesus e Maria esteja te cercando, e que os anjos montem guarda nos quatro cantos desse hospital, para que também de noite você não sinta saudades de mim, nem medo e nem angustia. Essa noite que passou você acordou quatro vezes pedindo de mim, quero que você saiba que amo muito você e você é muito especial, forte e que tudo isso vai passar e vai ser só uma lembrança em nossas vidas.
                                                                                             Amo você
                                                                                                                                 Mamãe

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Somente na Lembrança -Contando detalhes que não foram escritos




O protocolo da quimioterapia que a Gi iria seguir eram de seis etapas, sendo a primeira de 1 dia, a segunda e a terceira 5 dias (ambulatorial) a quarta e quinta 7 dias (internada) e a última 5 dias (ambulatorial) e o intervalo entre elas de 21 dias.
Tínhamos muita fé de que a Gi não iria passar mal, rezávamos muito para isso. Mas como quem rege a nossas vidas é Deus não foi como gostaríamos que fosse,só que Ele nos sustentou em todos os momentos difíceis e como foram difíceis.
A primeira etapa foi tranquila, ela não passou mal e as defesas não caíram, então foi iniciada logo em seguida a segunda etapa.
Durante a semana da quimio a Gi não chegou a passar tão mal, só era muito nervosa como já relatei. A cada crise que dava era muito desesperador, ela se mordia, me mordia, batia a cabeça na parede, arrancava o cabelo, quando via que ficava com um punhado de cabelo na mão tentava colocar ele de novo na cabeça e chorava que não queria ficar careca, o coração da gente nesse momento se despedaçava diante daquela cena. Quando terminou a segunda etapa as suas defesas caíram muito, foi quando ela ficou internada pela primeira vez na parte da oncologia. O problema desse andar (14º andar) é que na época mãe não podia dormir com o filho, então quando a noite chegava todas tinham que ir embora independente da situação em que eles se encontravam.
Como a Giovana acabou sendo internada no feirado da Páscoa deixaram a gente ficar no 13ºandar, me deram um colchão para eu dormir no chão e eu pude ficar com ela. A Gi ficou tão mal que achávamos que ela não iria aguentar a situação, teve muita mucosite, muita febre, precisou tomar morfina para dor, o cabelo da parte da frente tinha caído tudo, só tinha um pouco atrás e como ela tinha uma mania de enrolar o cabelo no dedo, ela procurava cabelo e não achava e ficava mais revoltada com tudo aquilo.
Mas como tudo nessa vida passa essa situação também passou mas, sempre com Deus nos dando forças.
Quando o feriado terminou levaram a Gi para o andar de cima e eu não pude mais dormir com ela. Essa foi à parte mais difícil do tratamento, ter que deixar ela de noite sem a minha presença naquela situação que ela se encontrava foi muito difícil, nos primeiros dias eu a deixava chorando, depois ela acabou aceitando a situação e ficava sem chorar.
Eu nesta época já tinha muita saudade da minha casa, das meninas, dos amigos e do grupo de oração que frequentava, então tive a graça através da minha amiga Elaine de ter a Vera orando pela Gi lá no HC, neste dia a Gi estava bem abatida e devido a muitas doses de morfina o intestino dela estava parado e ela sofria muito por isso. A Vera foi no hospital, orou e quando ela estava saindo a Gi já começou a apresentar melhora, foi um dia de muitas graças para nós.
Depois da alta a Gi foi melhorando voltou para a escola, as crianças já tinham sido avisadas da situação em que a Gi se encontrava, então a adaptação dela com o chapéu foi tranquila. E assim iam se passando os dias, uns tranquilos, outros tumultuados, mas todos com Deus na situação.